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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Cinco escritoras indígenas contemporâneas que você precisa conhecer!
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O foco em autoras contemporâneas é importante para evitar uma ideia estereotipada da cultura indígena. Importa saber o que se faz hoje, que autores podemos ler hoje. Talvez a lista não seja perfeita nem honre todas as escritoras que merecem esse espaço. E claro que não honra os tantos autores homens, mas essa matéria se foca em discutir arte feita por mulheres.
Por, Luisa Geisler.
Eliane Potiguara
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| foto de Silvia Villalva |
Um de seus livro, Metade Cara, Metade Máscara (2014) fala de amor, de relações humanas, paz, identidade, histórias de vida, mulher, ancestralidade e famílias. É uma mensagem para o mundo, uma vez que descreve valores contidos pelo poder dominante e, quando resgatados, submergem o selvagem, a força espiritual, a intuição, o grande espírito, o ancestral, o velho, a velha, o mais profundo sentimento de reencontro de cada um consigo mesmo, reacendendo e fortalecendo o eu de cada um, contra uma auto-estima imposta pelo consumismo, imediatismo e exclusões social e racial ao longo dos séculos.
Lia Minapoty é brasileira, maraguá, palestrante e atuante dentro da causa indígena. É autora de “Com a noite veio o sono”, publicado pela Leya. O livro trata do modo de pensar que os maraguás têm a respeito da noite. O livro trata de temas maraguás, informações relevantes à diversidade cultural do país, como por exemplo, a luta de reconhecimento e demarcação de terras indígenas. Dentro disso, o livro apresenta ilustrações de Maurício Negro. Lia tem um blog sem posts desde 2011, mas que mostra muito de sua arte até aquele momento, além de textos sobre a cultura indígena e sobre sua carreira.
Janet Campbell Hale
Janet Campbell Hale é uma escritora nativo-americana. O pai da autora era totalmente Coeur d’Alene, enquanto sua mãe era parte Kootenay e irlandesa. Por isso, o trabalho da autora em geral explora questões da identidade nativo-americana, ainda com questões como pobreza, abuso e a condição da mulher na sociedade. Escreveu Bloodlines: Odyssey of a Native Daughter, que é em parte biográfico, mas em parte uma discussão da experiência nativo-americana; The Owl’s Song,The Jailing of Cecilia Capture e Women on the Run.
Graça Graúna
Marisol Ceh Moo é mexicana, escreveu X-Teya, u puksi’ik’al ko’olel (Teya, un corazón de mujer), que foi o primeiro romance escrito em idioma maia. O livro foi publicado numa edição bilíngue pela Dirección General de Culturas Populares (México), com a versão em maia e em castelhano. Em entrevistas, a autora explica que as publicações em língua maia só haviam trazido narrativas curtidas, como o conto, o poema, o mito e as lendas. Marsiol Ceh Moo queria mais liberdade com os personagens, tempos verbais e contextos e, para isso, sentiu necessidade de uma narrativa mais longa.Teya, un corazón de mujer é o primeiro romance escrito por uma mulher em um dos idiomas indígenas do México e narra o assassinato de um militante comunista em Yucatán (México). A autora recebeu por essa narrativa o reconhecido Premio Nezahualcóyotl de Literatura en Lenguas Mexicanas.
Por, Luisa Geisler.
Essa lista está longe de perfeita e aceito críticas e sugestões.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Sofrimento silênciado: Hipersexualização, estupros e violência doméstica.
As mulheres indígenas são as principais vítima de violência sexual, apresentam a maior taxa entre mulheres: 1 em cada 3 será estuprada ao longo da vida. (Relatório da ONU)
> As mulheres indígenas lideram os índices de mortalidade materna. (Relatório da ONU)
> Meninas indígenas têm a menor probabilidade de completar a educação primária e secundária. A porcentagem das que terminaram a escola varia entre 6% e 8%. Apenas 1 em cada 10 meninas indígenas termina a escola secundária (Relatório da CIDH)
> No Mato Grosso do Sul, os casos registrados de violência doméstica contra mulheres indígenas aumentaram quase 600% entre 2010 e 2015 (sim, 600%) (Relatório da CIDH)
> Crianças indígenas lideram os índices de mortalidade infantil (Dados da ONU e do SINASC do SUS).
Para além das estatísticas oficiais, há a enorme taxa de crianças e adolescentes indígenas em situação de prostituição no país, além de serem as pessoas mais vulneráveis para o tráfico humano.
Tudo isso se relaciona com a
- a objetificação faz com que (principalmente) os homens (não-indígenas) nos enxerguem como seus objetos sexuais e, portanto, sua propriedade, gerando um ciclo de constantes violências.
No Mato Grosso do Sul, por exemplo, não-indígenas concebiam/concebem mulheres indígenas como "prostituta" ou "prostituível"¹. Outro exemplo é a escravidão sexual de mulheres indígenas como regra no sistema de aviamento no ciclo da borracha².
- a naturalização da hipersexualização de mulheres indígenas cria um cenário de apagamento e invisibilidade em torno de nossas pautas e reivindicações, prejudicando o avanço do próprio debate referente aos temas. Além disso, de modo geral, somos excluídas dos dados e estatísticas oficiais.
- criam-se estereótipos sobre as mulheres indígenas, como, por exemplo, de que o "sexo com índia é mais selvagem", além das diversas representações estereotipadas e romantizadas sobre mulheres indígenas em músicas:
"Índia, seus cabelos nos ombros caídos,
negros como a noite que não tem luar, seus lábios de rosa para mim sorrindo e a doce meiguice do olhar. Índia da pele morena, sua boca pequena eu quero beijar"
Ou mesmo na literatura brasileira: as famosas Gabriela e Iracema.
É um debate longo, isso é só um texto sem pretensão de apresentar uma tese acadêmica, apenas instigando a reflexão e investigação acerca dessas questões.
Por fim, é preciso
1) combater a invisibilidade de nossas pautas atualmente e o apagamento de 517 anos de violências e violações para que possamos avançar em nossa luta;
2) romper com a imagem romantizada da "índia", reforçada pelo indigenismo brasileiro, e evidenciar que essas histórias não são de amor, mas de violência;
3) respeitar nossas ancestrais guerreiras que resistiram bravamente contra os invasores e não as caricaturar ou transformar em algum tipo de símbolo sexual, como infelizmente acontece com a Pocahontas.
--
por Lais Zinha
¹ SIMONIAN, L. (1994). Mulheres indígenas vítimas de violência, Papers do NAEA: Belém, n. 30
² MEIRA, M. A. F. de. (2017). A persistência do aviamento: colonialismo e história indígena no noroeste amazônico, UNIRIO: Rio de Janeiro
> As mulheres indígenas lideram os índices de mortalidade materna. (Relatório da ONU)
> Meninas indígenas têm a menor probabilidade de completar a educação primária e secundária. A porcentagem das que terminaram a escola varia entre 6% e 8%. Apenas 1 em cada 10 meninas indígenas termina a escola secundária (Relatório da CIDH)
> No Mato Grosso do Sul, os casos registrados de violência doméstica contra mulheres indígenas aumentaram quase 600% entre 2010 e 2015 (sim, 600%) (Relatório da CIDH)
> Crianças indígenas lideram os índices de mortalidade infantil (Dados da ONU e do SINASC do SUS).
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| foto: shutterstock |
Tudo isso se relaciona com a
- a objetificação faz com que (principalmente) os homens (não-indígenas) nos enxerguem como seus objetos sexuais e, portanto, sua propriedade, gerando um ciclo de constantes violências.
No Mato Grosso do Sul, por exemplo, não-indígenas concebiam/concebem mulheres indígenas como "prostituta" ou "prostituível"¹. Outro exemplo é a escravidão sexual de mulheres indígenas como regra no sistema de aviamento no ciclo da borracha².
- a naturalização da hipersexualização de mulheres indígenas cria um cenário de apagamento e invisibilidade em torno de nossas pautas e reivindicações, prejudicando o avanço do próprio debate referente aos temas. Além disso, de modo geral, somos excluídas dos dados e estatísticas oficiais.
- criam-se estereótipos sobre as mulheres indígenas, como, por exemplo, de que o "sexo com índia é mais selvagem", além das diversas representações estereotipadas e romantizadas sobre mulheres indígenas em músicas:
"Índia, seus cabelos nos ombros caídos,
negros como a noite que não tem luar, seus lábios de rosa para mim sorrindo e a doce meiguice do olhar. Índia da pele morena, sua boca pequena eu quero beijar"
Ou mesmo na literatura brasileira: as famosas Gabriela e Iracema.
É um debate longo, isso é só um texto sem pretensão de apresentar uma tese acadêmica, apenas instigando a reflexão e investigação acerca dessas questões.
Por fim, é preciso
1) combater a invisibilidade de nossas pautas atualmente e o apagamento de 517 anos de violências e violações para que possamos avançar em nossa luta;
2) romper com a imagem romantizada da "índia", reforçada pelo indigenismo brasileiro, e evidenciar que essas histórias não são de amor, mas de violência;
3) respeitar nossas ancestrais guerreiras que resistiram bravamente contra os invasores e não as caricaturar ou transformar em algum tipo de símbolo sexual, como infelizmente acontece com a Pocahontas.
--
por Lais Zinha
¹ SIMONIAN, L. (1994). Mulheres indígenas vítimas de violência, Papers do NAEA: Belém, n. 30
² MEIRA, M. A. F. de. (2017). A persistência do aviamento: colonialismo e história indígena no noroeste amazônico, UNIRIO: Rio de Janeiro
CAMPANHA!
CHEGA DE HIPERSEXUALIZAÇÃO!...
CHEGA DE SILÊNCIO!
#MIchegadesilencio HASHTAG DA CAMPANHA CONTRA A VIOLENCIA E HIPERSEXUALIZAÇÃO DA MULHER INDIGENA
* Poste uma foto sua com a #MIchegadesilencio se quiser, conte sua historia.
CHEGA DE HIPERSEXUALIZAÇÃO!...
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#MIchegadesilencio HASHTAG DA CAMPANHA CONTRA A VIOLENCIA E HIPERSEXUALIZAÇÃO DA MULHER INDIGENA
* Poste uma foto sua com a #MIchegadesilencio se quiser, conte sua historia.
exemplo: "Meu nome é ------ e eu já fui abusada!"
"Meu nome é ------ e eu odeio quando dizem que o sexo comigo deve ser selvagem"
"Meu nome é ------ e eu odeio quando dizem que o sexo comigo deve ser selvagem"
SINTA-SE a vontade para falar ou se preferir apenas poste uma foto sua nas redes sociais com a #MIchegadesilencio ou escreva a hashatg em seu corpo e poste a foto.
JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!
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